sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Tempo


Tempo: sem dúvida a arma mais mortal que existe.
O tempo não nos dá tempo.
Corremos, sorrimos, choramos, dormimos, a nos perdermos sem noção em seus ponteiros.
O tempo dança e viaja o mundo pra nos trazer sempre coisas que aconteceram no mesmo tempo.
O tempo passa e isso bem se nota em nossos rostos.
É algo que nem notamos passar se não fosse a mudança de cores e astros no céu.
É aquilo que pouco a pouco vai nos consumindo e levando tudo e o nada.
Tempo é motivo de discussões, encontros, desencontros e despedidas.
Algo que foi criado para nos limitar, e não podemos mais esquecê-lo.
Tempo é mistério, define destinos, faz brotar e enterrar pessoas que até a pouco tempo estavam tão perto.
Talvez seja vingança por querermos sempre matá-lo.
O tempo esconde coisas, que vindouramente só o tempo mostrará.
O tempo guarda nossos atos e por mais tempo que passe sempre lembra-se de voltar com chuvas ou bonanças.
O tempo constrói faces, pilares, muros, para com o seu passar ele mesmo aos poucos venha a ruir.
Por aqui vou ficar pois já não tenho mais tempo, pois é, ele também limita minhas inspirações.
Desejo um dia conversar com o tempo, e perguntar:
O que tu me guardas?
E fico a esperar, silencioso como um relógio...

Uadi

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O segredo de Danna


Ela queria fugir de suas verdades.
Propagar seu vôo a novos horizontes.
Queria me perder num bosque de primaveras e outonos contigo.
Você me diz que cansou de sonhar e agora quer viver.
Não permitas que engaiolem teus sonhos.
Sussurra pra mim o teu segredo.
Caminha sem medo entre as árvores desta tenebrosa floresta.
Corre feroz como o livre lobo.
Teu âmago me expôe mil faces, e cada uma delas quero conhecer.
Sussurra pra mim teu segredo.
Sussurra...
Doce Danna.


Uadi


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Bons tempos


Quão bons eram aqueles tempos, onde jaulas não nos prendiam e nem botas nos perseguiam.
Tempo de ilusões, se é que me entende.
A loucura era coletiva, tínhamos pra dar e vender.
As únicas letras que conhecíamos eram LSD.
União era nossa marca e paz e amor nosso lema.
O estresse era insignificante, não haviam problemas nem dilemas.
Que bom seria voltar no tempo e ver as longas madeixas, as copas negras das árvores,
o zeppelin decolar, a guitarra gritar e a voz ecoar.
A fumaça sobre os óculos escuros e a alma pura.
Tempo de inocência e não de violência.
Com isso, deixa, que a música vem, pra deixar sua cabeça bem zen.

Uadi

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009


É retrato é paisagem, é a tua bela imagem.

É sol é solidão, é sorriso na palma da mão.

É o caminho é homem torto, e este sentimento morto.

É guerra é paz, e este olho não mais audaz.

É amor é carinho, no fim não estou sozinho.

É inquietude neste coração, com esta falta de inspiração.

É poeta é carnaval, é homem e animal.

É carne é alma, e esta brisa que me acalma.

É tu que vens de lá, e eu aqui a te esperar.

É inconformismo e razão, solidificados na cabeça.

E antes que eu me esqueça te digo que vá...

Mas não desapareça.


Uadi

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

As 7 faces de um sentimento singular


Não sei o que se passa, só sei que se passa
E tudo que eu quero viver o presente,
Sem pensar em futuro, sem pensar em passado
E as horas também neste velho relógio vão passando,
Ponteiros caminham lentos para saciar sua fome de comer o tempo
A vida é tão curta pra pensar em banalidades,
Eu quero mesmo que o tempo passe,
Eu quero mesmo é que nada disso se acabe,
Caminho pelas ruas e vejo pessoas aéreas
Vejo tantas coisas pelas ruas,
Mas não vejo aquilo que quero
As respostas que são acobertadas por sombras de dúvidas
Dúvidas... Minhas, suas, nossas dúvidas.
Que vez ou outra insistem em atormentar
Procuro algo para me desanuviar
Procuro algo que seja só meu,
Algo que não me persiga
E a solução eu acho que tenho,
A solução não é saber o porquê é ter.
A medida do ter nunca termina, a cobiça humana sem dúvida é a progenitora
da dor humana
Dor que também nunca termina, parece que o Amor e a Dor estão
Eternamente atreladas
A casa do amor é alugada a outros sentimentos inquilinos, acontece muito
Alguns deles moram por lá só pra manter a discórdia
Mas quando isso é muito, é preciso que o dono da casa volte, eles findam por
Voltar sempre
O dono nem sempre prevalece, mas sempre está dando tudo de si
É porque vez em quando fazem dele cabra-cega, perdoa
No fim das contas, ele é que começa e termina as coisas.
Sentimento uno, sem dúvida, finda sempre sendo causa de tudo
Causa até mesmo de desavenças, sendo ele tão perfeito
Abstrato, medonho, fiel, desleal, traidor, assassino, romântico
Tudo isso o define, E ele define tudo Isso.

Danniele e Uadi

domingo, 15 de fevereiro de 2009

De alma verde, um rugido de paz


Meu grito é forte e de revolta.
Grito pelo sangue derramado nos países em guerra.
Corpos vazios de olhares desesperançosos.
Meu grito ecoa qual o rugido de um leão.
Essas cores não me deixam mentir.
Vamos nos unir e cantar esta verde canção.
Vamos cantar por uma África sem desgraças.
Chega do vermelho da fúria dos titãs.
E da ambição que o amarelo traz.
Soem os tambores para a ciranda da paz.
Vozes tristes cantam nas imensas plantações.
São sons de escravos de almas limpas.
Quero essa vontade.
Sentir a pureza do nítido alvorecer sem sons de canhões.
Meu grito não vai se apagar, vai se ecoar para outras tribos.
Uni-vos tribos de sangue pacífico.
Vamos em confronto com os pilares da Babilônia.
Propagando nossa canção verde.
Num rugido de soberania e liberdade.

Uadi

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Poema para uma mulher utópica


Quando decidi criar as quatro estações, inspirei-me em teu sublime ser.
Do brilho incessante dos teus olhos fiz o verão.
De tua perfeita boca e divino sorriso fiz a primavera.
Da tua alva pele onde transparece a tranquilidade fiz o cair da neve que precede o inverno.
E por fim, das lágrimas que vi cair de tua face, criei o outono, estação das despedidas, de quem tanto amamos e cuidamos, como o cair da filha folha da mãe árvore, mas sempre no aguardo de reflorescerem, como o amor que apesar de qualquer mágoa, sempre retorna.


Uadi